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NOSSOS CAMPEÕES - PADRÃO OFICIAL - NINHADAS ................................... VOLTAR
 

Ele ainda é pouco conhecido... mas há razões para isso, saiba mais sobre
a formação e o temperamento desta raça.

Se você faz parte da maioria, ainda não deve ter visto um DOGO ARGENTINO de
perto, é que a popularidade deste grande cão branco encontra-se em seu país de
origem, a Argentina.  De acordo com os dados da entidade máxima nacional ar-
gentina, ele está na nona posição no ranking anual de nascimentos de todas as
raças, com 1.098 exemplares registrados.

"Aqui é comum vermos Dogos Argentinos na rua, e a maioria das pessoas identifi-
ca a raça prontamente"... conta, Fernando Eduardo Moreno, presidente do Clube
del Dogo Argentino (na Argentina).

Em outros países, como na Espanha, Itália, Estados Unidos e Brasil, o Dogo Ar-
gentino ainda que esteja tornado-se cada vez mais conhecido, pertence ao rol das
raças raras.  Nestes locais, a posição em registros anuais do mesmo, nunca está
acima da 42ª colocação.  Só para se ter uma idéia, em 2001, no Brasil, foram re-
gistrados apenas 58 exemplares pela Confederação Brasileira de Cinofilia, os mo-
tivos deste número reduzido de Dogos Argentinos no mundo, são explicados por
Moreno:

"O pioneiro no desenvolvimento da raça, Antonio Martinez, que iniciou o trabalho
nadécada de 20, só a divulgou entre caçadores e nem tentou obter o seu reconhe-
cimento pela entidade cinófila máxima da Argentina, o que a promoveria no ambi-
ente da criação organizada. Ele se concentrou em desenvolver um bom cão de ca-
ça, redigiu o padrão e manteve a criação restrita à região de Córdoba, à 600 km da
capital argentina.  O resultado é que por cerca de 4 décadas após o início do de-
senvolvimento da raça, o Dogo Argentino permaneceu desconhecido, inclusive en-
tre a maioria dos próprios argentinos, por gente cujo principal interesse era caçar
pumas e javalis com cães e não selecionar os cruzamentos para manter as carac-
terísticas físicas".

Assim, a raça foi perdendo suas características e caminhando para o desapareci-
mento... "Ao invés do número de exemplares típicos aumentar, diminuía"... atesta
Moreno. 


RECONSTRUÇÃO

Foi nesta época que um novo personagem surgiu na história do Dogo Argentino,
Augustín Nores Martinez, irmão de Antonio Martinez...  Pouco tempo antes,
Antonio morrera em uma caçada, e Augustín em homenagem ao irmão, resolvera
"ressuscitar" a raça.  No início dos anos 60, Augustín, que morava em Buenos
Aires, foi para Córdoba, na esperança de encontrar exemplares da raça.

Percorreu toda a região... "mas não achou nenhum Dogo Argentino, e começou a
fazer contatos com alguns desconhecidos, que no tempo de seu irmão adquirído
cães", comenta Moreno.  "Localizou poucos exemplares, algo em torno de dez, o
que era insuficiente para reconstruir a raça", completa...

Augustín não desistiu, havia assitido ao desenvolvimento do Dogo Argentino pelo
irmão, observando as raças que ele colocara... resolveu reiniciar todo o processo.
Durante aquela toda década misturou os poucos Dogos que tinha, com as raças
que haviam participado de sua formação.  Em 1964 fundou o clube da raça no país,
chamado: ASOCIACIÓN DE CRIADORES DE DOGOS ARGENTINOS, único exis-
tente até hoje, com objetivo de difundir a raça no universo da criação oficial.

O primeiro passo tinha de ser o reconhecimento como raça, pela entidade máxima
da cinofilia nacional, que na época chamava-se Kennel Club Argentino.
"Só que naqueles tempos, o pessoal que dirigia a entidade considerava o cão um
mestiço", lembra Moreno.  A sorte é que poucos meses depois que o clube de ra-
ça foi fundado e que pleiteava o reconhecimento da mesma, parte da diretoria da
entidade máxima do pais, por divergências internas, resolveu fundar uma nova en-
tidade, a Federacíon Cinológica Argentina.  "Essa entidade, que logo se tornou a
principal, foi procurada por Augustín, que lhe apresentou o mapa de criação do
Dogo, com as raças que o formaram, o padrão, e todos os exemplares que havia
obtido até então", completa.  A raça foi aceira.


CAMINHO LÓGICO

O desafio inicial foi vencido... "Com a aceitação nacional, o Dogo Argentino come-
çou gradativamente a participar de exposições por todo o seu país de origem, a
ser criado por mais pessoas que moravam nas grandes cidades e foi ganhando po-
pularidade no país", comenta Moreno.  Mesmo assim, ainda não existiam muitos
exemplares e o Dogo continuava restrito praticamente à Argentina.

Para que o resto do mundo se interessasse em criá-lo, o caminho mais lógico era
obter o reconhecimento internacional como raça, pela Federação Cinológica Inter-
nacional (FCI).  "Por incrível que pareça, a pessoa que mais batalhou pela aceita-
ção mundial do Dogo Argentino como raça, foi um alemão, chamado Shneider
Leyer, que conheceu o cão numa viagem ao nosso país", fala Moreno.
Ele entrou em contato com a FCI e ajudou o clube da raça da Argentina a organi-
zar as exigências da entidade.  Entre outras determinações, pediu-se um número
determinado de exemplares parecidos fisicamente, o mapa de criação com as ra-
ças que foram utilizadas, o padrão oficial e os documentos que comprovassem a
aceitação do Dogo pela entidade argentina.  Em 1973, o Dogo entrava na lista da
FCI como raça canina oficial.  Mas só isso não bastou... se por um lado já havia
um número suficiente de Dogos Argentinos com características homogêneas para
obter o reconhecimento internacional, por outro, a raça ainda estava em fase de
aprimoramento e nasciam muitos exemplares atípicos, com pelagens mais longas
que o desejado ou alaranjadas, olhos azuis, manchas pretas na pele ou nos pêlos,
estaturas muito altas ou muito baixas, corpos pouco robustos.

"Essa variedade de tipos que ocorria prejudicava o interesse de criadores potenci-
ais na Argentina e fora dela, retarnando a expansão da raça", declara Moreno.
"Só conseguimos uma homogeneidade próxima à 100% há menos de 15 anos...
como essa era a meta prioritária, o trabalho de divulgação da raça no exterior aca-
bou relegado a segundo plano", esclarece.  Boa parte (provavelmente a maior) da
criação raça em outros países, teve início com argentinos que se mudaram do 
país e levaram consigo seus cães.  "Houve também casos de estrangeiros que
viajando pela Argentina conheceram o cão, gostaram e introduziram em seus paí-
ses... mas hoje, ainda que a popularidade do Dogo tenha sido prejudicada por uma
história recente e tumultuada pelo seu quase desaparecimento, a raça está ga-
nhando força no exterior", completa Moreno... em informa que em vários países da
Europa, pequenos clubes especializados estão sendo formados.


CÃO PROIBIDO

"Pelo menos na Grã-Bretanha, a imprensa tem uma parcela de culpa pela ausên-
cia de Dogos Argentinos".  A afirmação é de Moreno, e tem fundamento...
Lá em 1991, a criação dessa raça (e também a do Fila Brasileiro, Tosa e Pit Bull),
foi proibida sob alegação de ser perigosa.
"Várias vezes, veículos de comunicação de repersussão internacional rotularam o
Dogo Argentino como CÃO ASSASSINO", conta ele, referindo-se a casos de
exemplares que atacavam pessoas.  "A maioria dessa fatalidades ocorreu por
que o território guardado por umDogo foi invadido por alguém desconhecido", jus-
tifica.  "E aí, o que se deve esperar de um guardião nessa circunstância ?  Que
ele indague se o intruso é do bem ou do mal ?" questiona.  Moreno tem razão...
O dever de esclarecer a respeito da existência de um ção de guarda no local, é do
dono.  "É fundação do cão de guarda agir agressivamente se alguém invadir seu
território", completa.  "Se por um lado existe a possibilidade dele distinguir quem
tem boas ou más intenções, um proprietário responsável jamais conta com ele",
conclui.

Moreno também levanta a probabilidade de alguns desses acidentes terem ocor-
rido por desvios de temperamento, que aparecem em todas as raças.  O Dogo
Argentino, ainda que esses distúrbios sejam raros na raça, não é exceção.  Cabe
ao criador selecionar os cruzamentos adequadamente para evitar ao máximo que
nasçam exemplares desvirtuados.  Cabe ao futuro proprietário se cercar de todos
os cuidados possíveis, para não adquirir um cão problemático e nem transformá-
lo em um.  E a quem, por azar, tiver um cão com desvior, cabe mantê-lo de forma
segura, impedindo que cometa agressões desnecessárias.





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